Divulga UFSC – 20/02/2026 – Edição 2500
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O VI Encontro do GT de História Antiga e Medieval da Associação Nacional de História (ANPUH-SC) está com as inscrições abertas. O evento gratuito ocorrerá de 23 a 26 de março no Centro de Ciências Humanas e da Educação (Faed) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). A data limite para inscrição como comunicador é dia 13 de fevereiro. As inscrições para ouvintes podem ser feitas por meio do formulário até 26 de março.
O evento é organizado pelos grupos de estudo e laboratórios que constituem o GT, como o Núcleo Interdisciplinar de Estudos Medievais (Meridianum) e o Laboratório de História Antiga Global (Mithra) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o Laboratório Blumenauense de Estudos Antigos e Medievais (Labeam) da Universidade Regional de Blumenau (Furb), o Laboratório de Estudos Medievais (Leme) da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e o Núcleo de Estudos de História Antiga e Medieval (Periplous) da Udesc.
O evento é aberto a todos os níveis de formação e áreas do conhecimento, com foco em trabalhos das áreas de história, filosofia, arqueologia, antropologia e letras. As propostas submetidas serão organizadas posteriormente em simpósios temáticos, conforme suas afinidades.
A programação contempla simpósios temáticos, mesas de debate e dois minicursos: um sobre histórias antigas e medievais vistas desde o Sul Global e outro sobre paleografia. Também acontecerão rodas de conversa sobre lançamentos de livros e intervenções culturais.
Serão aceitas todas as propostas que sigam o modelo de resumo e dialoguem criticamente com a antiguidade e o medievo. Os trabalhos apresentados serão publicados nos anais do evento.
Para mais informações, acesse o site do evento.
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Dois projetos de saberes tradicionais de Santa Catarina e do Sul do Brasil estão em fase de consulta pública para reconhecimento como patrimônios culturais imateriais brasileiros pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Os processos contaram com a participação direta da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que foi a instituição executora da instrução técnica dos registros.
Os projetos são Saberes e Práticas Tradicionais Associados à Pesca com Auxílio de Botos em Laguna (SC) e Saberes e Práticas Tradicionais Associados aos Engenhos de Farinha de Mandioca em Santa Catarina. Ambos foram desenvolvidos por grupos de pesquisa vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS/UFSC) e ao INCT Brasil Plural, em parceria com o Iphan.
O órgão já disponibilizou um material com informações detalhadas sobre o processo e os canais de contato: Participe do processo de registro da Pesca com botos no sul do Brasil e Consulta pública: saberes associados aos Engenhos de Farinha de Mandioca.
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Estão abertas as inscrições para a 27th International Conference on Science and Technology of Synthetic Electronic Materials (ICSM 2026), que será realizada no Rio de Janeiro, de 19 a 24 de julho de 2026.
A ICSM é a série de conferências mais antiga na área de materiais orgânicos condutores e semicondutores. Fundada em 1976, juntamente com o surgimento de cristais moleculares altamente condutores e polímeros conjugados, a ICSM é dedicada à eletrônica orgânica. “Ao longo das últimas quatro décadas, a ICSM tornou-se um fórum de referência para discutir os mais recentes desenvolvimentos em eletrônica orgânica e fotônica, abrangendo síntese, caracterização, modelagem computacional, fabricação de dispositivos e aplicações práticas”, explica o professor da UFSC Ivan Bechtold, um dos organizadores.
O deadline para submissão de trabalhos é 3 de março de 2026. Pesquisadores e estudantes de instituições brasileiras têm 50% de desconto no valor da taxa de inscrição. Mais informações no site https://www.icsm2026.com/
As mulheres são maioria entre matriculadas, ingressantes e concluintes nos programas de pós-graduação da Universidade Federal de Santa Catarina. Os dados de 2025, divulgados no Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, mostram que mil mulheres concluíram o mestrado ou doutorado ao longo do ano, em comparação a 814 homens. O desafio, além de incluí-las, passa a ser incentivá-las a ingressarem em carreiras que já foram consideradas tipicamente masculinas. Em janeiro, a UFSC Joinville abriu as portas para que uma estudante de Ensino Médio aprendesse a ser uma “futura cientista”.
O volume maior de concluintes mulheres da pós-graduação na UFSC, atualmente, está concentrado no Centro de Ciências da Saúde, com 164 concluintes, mas o Centro Tecnológico também se destaca, com 160. Nesta área, entretanto, o número de homens concluintes ainda é muito maior: foram 227.
O dado ilustra um desafio: incluir meninas e mulheres na área das engenharias e tecnologias ainda é um processo difícil. No mês de janeiro, a professora da UFSC em Joinville, Amanara Potykytã de Sousa Dias Vieira viveu, com outras colegas, a experiência de orientar uma jovem estudante de Ensino Médio da rede pública de Joinville no projeto Futuras Cientistas, programa que estimula o contato de alunas e professoras da rede pública de ensino com as áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.
Elas formaram uma equipe para construir uma estação meteorológica com recursos de Internet das Coisas. “No nosso caso, a atividade que a gente propôs foi justamente montar uma estação meteorológica durante esse mês. Então, isso envolveu tanto aulas de hidrologia para entender o que a gente estava medindo, qual a importância daquilo, aulas de eletrônica, de programação e a montagem, com o teste da estação”, explica Amanara. A equipe foi formada por ela, Gabriella Arévalo Marques, Camille Andreski Pan, Franciele Maria Vanelli e Simone Malluta.
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Estão abertas, até 10 de março, as inscrições para o Simpósio Brasileiro do Pâncreas Endócrino, Obesidade e Diabetes (SPOD Brasil 2026), que será realizado de 28 a 30 de abril, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no auditório do Centro de Ciências Biológicas (CCB). O evento marca a retomada de uma série de encontros científicos promovidos nos anos de 2005, 2007, 2009, 2012 e 2015.
Também segue até 10 de março o prazo para envio de resumos para apresentação de pôsteres. Os valores das inscrições variam conforme a categoria: R$ 75,00 para alunos de graduação, R$ 150,00 para alunos de pós-graduação e R$ 200,00 para pesquisadores e demais profissionais. As vagas são limitadas. Faça aqui sua inscrição.
O simpósio tem como objetivo reunir pesquisadores, estudantes e profissionais da área da saúde para fomentar discussões sobre os avanços científicos relacionados ao pâncreas endócrino e sua interação com o metabolismo. O SPOD Brasil 2026 abordará temas como genômica e metabolômica das células beta, influência de fatores ambientais nas desordens metabólicas, geração de células produtoras de insulina a partir de células-tronco pluripotentes humanas e reprogramação metabólica nas doenças não transmissíveis.
Mais informações no site do evento.
A professora e pesquisadora Renata Cavion, do Departamento de Engenharias da Mobilidade do Centro Tecnológico de Joinville (CTJ) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), teve o livro Sobre a cidade: impactos do ruído de aeronaves no planejamento urbano selecionado no 1º Concurso Nacional de Livros de Arquitetura e Urbanismo, promovido em 2025 pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), alcançando o segundo lugar entre as cinco obras escolhidas para publicação.
Resultado de pesquisas desenvolvidas ao longo dos últimos 25 anos, a obra reúne análises técnicas, fatos históricos e debates científicos sobre o avanço do transporte aéreo nas cidades, discutindo de forma crítica suas implicações para o planejamento urbano, o ordenamento territorial e a qualidade de vida urbana, com ênfase nos impactos do ruído aeronáutico. O livro também conta com ilustrações digitais produzidas pela própria autora, que, além de apoiar a compreensão dos conteúdos técnicos, introduzem um componente gráfico e artístico à obra.
Publicada pelo CAU/BR, órgão responsável pela regulamentação e fiscalização da profissão de arquitetos e urbanistas no Brasil, a obra foi oficialmente lançada em dezembro de 2025, em Brasília, e está disponível gratuitamente ao público na plataforma do Conselho, contribuindo para a disseminação do conhecimento técnico-científico e para sua aplicação no planejamento urbano, no desenvolvimento de políticas públicas e na qualificação da prática profissional.
Uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) está desenvolvendo um software para a Petrobras que, a partir de critérios e metodologias avançadas em meteorologia e oceanografia, visa a estimar condições ambientais extremas em plataformas e outras instalações de extração e produção de petróleo e gás natural em alto-mar.
O objetivo é otimizar a prevenção contra desastres ambientais e humanos e reduzir os riscos de colapso nas estruturas offshore. O trabalho conta com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu). “A Fapeu tem se mostrado uma excelente fundação de apoio à gestão de recursos financeiros do projeto, tanto da UFSC quanto da UFRGS”, observa o coordenador do projeto, professor do Departamento de Engenharia Mecânica Pedro Veras Guimarães.
O projeto “Análise de extremos multivariada de onda, perfil de vento e perfil corrente para projetos de engenharia offshore” foi a proposta vencedora de chamada lançada em 2023 pela Petrobras, que financia a iniciativa. Os trabalhos começaram em setembro de 2024 e têm previsão de 48 meses. “A partir de uma análise multivariada que considere a interdependência estatística entre variáveis como ondas, ventos e correntes, tratando-as como grandezas tridimensionais, a proposta é fornecer estimativas mais realistas e reduzir incertezas no dimensionamento de projetos de engenharia offshore”, explica o coordenador do projeto.
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Projeto nacional avalia se mudanças no estilo de vida ajudam a prevenir o diabetes tipo 2. Foto: Isens USA/Unsplash
O Núcleo de Pesquisa em Exercício Físico e Doenças Crônicas Não Transmissíveis (NuPEFID) e o Grupo de Pesquisa em Exercício Clínico da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) recrutam adultos e idosos com pré-diabetes para participar de pesquisa nacional. O Programa de Prevenção de Diabetes (PROVEN-DIA) faz parte do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), uma iniciativa do Ministério da Saúde, conduzida e liderada pela Beneficência Portuguesa de São Paulo.
O projeto é realizado em mais de 30 centros de pesquisa do Brasil, incluindo a UFSC, com o objetivo de avaliar se mudanças no estilo de vida ajudam a prevenir o diabetes tipo 2. A intervenção inclui ferramentas não medicamentosas como alimentação saudável, exercícios físicos, controle do estresse e melhoria do sono, entre outras ações. Os participantes terão acesso gratuito a exames sanguíneos, avaliação antropométrica e avaliação cardiovascular.
Podem participar pessoas com 18 anos ou mais, com diagnóstico de pré-diabetes, que não tomem remédio antidiabético. Para participar, é necessário preencher a ficha de triagem.
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Projeto de pesquisa desenvolvido no campus de Curitibanos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está investigando como minhocas, micro minhocas, colêmbolos e ácaros podem atuar como bioindicadores da qualidade do solo. A iniciativa é uma das primeiras no Brasil a aplicar o conceito de Faixa Normal de Operação (Normal Operating Range – NOR) às comunidades de fauna do solo, integrando parâmetros biológicos, físicos e químicos para compreender a dinâmica natural desses organismos ao longo do tempo.
Coordenado pela professora Júlia Carina Niemeyer, do Departamento de Agricultura, Biodiversidade e Florestas e vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ecossistemas Agrícolas e Naturais (PPGEAN), o projeto é conduzido pelo Núcleo de Ecologia e Ecotoxicologia do Solo (Necotox) da UFSC Curitibanos. A pesquisa conta com financiamento internacional da Bayer AG, Crop Science Division, da Alemanha, e da CloverStrategy, de Portugal, além do apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu), responsável pela gestão administrativa e financeira dos recursos.
A fauna do solo desempenha funções ecológicas essenciais, como a fragmentação da matéria orgânica, a formação de agregados, a ciclagem de nutrientes e a regulação da microbiota. A presença abundante e diversificada desses organismos está diretamente associada à boa estrutura do solo, à fertilidade e à oferta de serviços ecossistêmicos, refletindo em maior produtividade agrícola. Por serem sensíveis a alterações ambientais, esses organismos também funcionam como importantes bioindicadores. “Ao identificarmos padrões sazonais naturais, a NOR poderá ser utilizada como uma ferramenta de monitoramento capaz de diferenciar variações naturais das alterações causadas por práticas agrícolas ou impactos ambientais, como o uso de agrotóxicos”, explica Júlia Niemeyer.
Metodologia e áreas de estudo
As coletas de amostras de solo estão sendo realizadas na região do Planalto Catarinense, nos municípios de Curitibanos e Frei Rogério, contemplando quatro sistemas distintos de uso do solo: mata nativa, pastagem, sistema de plantio direto e sistema de preparo convencional. As primeiras coletas ocorreram nos dias 3 e 4 de fevereiro de 2025, e as análises laboratoriais foram conduzidas no Laboratório Auxiliar de Ecotoxicologia e Biologia do Solo da UFSC Curitibanos. Segundo a pesquisadora, a escolha desses ambientes permite representar um gradiente de intensidade de uso e impacto sobre o ecossistema do solo. Os trabalhos tiveram início em 2025 e seguem até o final de 2026, envolvendo 18 participantes, entre pesquisadores nacionais e internacionais, profissionais das instituições parceiras, além de pós-graduandos e bolsistas de graduação da UFSC. Entre os colaboradores está a bióloga e taxonomista de minhocas Marie Bartz.
Resultados e impactos esperados
Análises preliminares já indicam que o tipo de uso do solo e fatores climáticos influenciam a composição e a abundância da fauna ao longo do ano. Esses dados reforçam o potencial dos organismos estudados como indicadores ecológicos capazes de refletir impactos positivos ou negativos das práticas agrícolas. “O principal benefício do projeto é fornecer parâmetros ecológicos para o biomonitoramento do solo. Assim, será possível avaliar se variações nas populações estão dentro do esperado para determinada época do ano ou se resultam de impactos antrópicos”, ressalta Júlia Niemeyer. A expectativa é que os resultados subsidiem políticas públicas, promovam práticas agrícolas mais sustentáveis e contribuam para o aprimoramento da avaliação de risco de agrotóxicos no Brasil, além de orientar estratégias de recuperação de áreas degradadas.
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Professor da UFSC, Elisandro Ricardo Drechsler-Santos fez parte da expedição que encontrou a tarântula infectada. Foto: acervo pessoal
Cientistas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), da Universidade de Copenhague (UCPH) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) registraram, pela primeira vez, um fungo da espécie Cordyceps caloceroides parasitando uma tarântula (Theraphosa blondii). Famosos pela série The Last of Us, onde são responsáveis por contaminar a humanidade e causar um apocalipse zumbi, os fungos do gênero Cordyceps são conhecidos por infectar insetos e artrópodes e controlar seu sistema nervoso.
O parasita e seu hospedeiro foram encontrados em janeiro por Lara Fritzsche, uma estudante de Ciências Ambientais da UCPH durante atividades de campo do Tropical Mycology Field Course. Organizado pelo biólogo João Paulo Machado de Araújo, professor da UCPH, o curso reuniu especialistas da Dinamarca e do Brasil na Reserva Ducke, próxima a Manaus. O achado foi divulgado por Elisandro Ricardo Drechsler-Santos, professor do Programa de Pós Graduação em Biologia de Fungos, Algas e Plantas da UFSC e coordenador do grupo de pesquisa MIND.Funga, em suas redes sociais.
Embora fungos semelhantes possam ser encontrados em outros biomas brasileiros, inclusive em Santa Catarina, o pesquisador ressalta, em entrevista para o portal A Crítica, a importância do espécime identificado na Amazônia: “São outras condições ambientais, outras espécies de aranha, e esses fungos têm níveis de especialização bem altos. Exemplo, é a espécie X do fungo que ataca a espécie Y da formiga. São relações que muitas vezes se estabeleceram há 50 milhões de anos. Estudos comprovam, no caso das formigas. Enquanto com a aracnídeos é muito raro e muito difícil de encontrar”.
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Seu João é um morador ribeirinho que vive em uma comunidade isolada no coração do Amazonas. Com dor, tem uma única forma de acessar medicamentos para tratá-las: navegar por uma hora, se tiver sorte, ou por mais do que isso a depender das condições do clima e geográficas do dia.
A comunidade em que João vive não tem farmácias, como tantas outras na mesma região. Um flutuante comercial vende analgésicos junto com açúcar e farinha, mas no dia em que ele precisava, havia apenas xarope. Na unidade de saúde mais próxima, um Agente Comunitário de Saúde lhe informou que não havia remédios na unidade: a seca dificultou o abastecimento.
A história de Seu João é uma metáfora das tantas realidades que a pesquisa de doutorado de Genize Kaoany Alves Vasconcelos no Programa de Pós Graduação em Assistência Farmacêutica da Universidade Federal de Santa Catarina encontrou pelo caminho. Em um programa interinstitucional, ela navegou águas de uma região distante da UFSC para entender as complexidades do acesso à medicação em dezoito municípios do Amazonas.
As barreiras da realidade geográfica regional podem ser um limitador da equidade no acesso à saúde. “O modelo atual é um pouco rígido e acaba não considerando muitas vezes a geografia das nossas águas, os banzeiros, que a gente fala que são as ondas. Ele não consegue se moldar a esse movimento”, comenta a pesquisadora.
De acordo com o estudo, a Política Nacional de Assistência Farmacêutica (PNAF) é adequada à terra firme. Isso faz, por exemplo, com que características sazonais de territórios cercados por águas não sejam considerados em sua especificidade. Além disso, o modelo não prevê recursos para os altos custos logísticos da região. O transporte de insulina, por exemplo, pode exigir 26 horas de barco sob temperaturas de 40ºC.
Essas particularidades fazem com que os próprios profissionais envolvidos com a assistência tenham que criar mecanismos para chegar à população. Foi assim que Genize conheceu e descreveu aquelas que chama de “cunhãs” , mulheres que representam 73,3% da força de trabalho nessa área. Ao utilizar o termo indígena que significa mulher, o estudo registra que 89,3% são amazonenses e 69,3% do interior do estado.
“As cunhãs, na nossa pesquisa, são farmacêuticas que atuam na rede pública de saúde, na maioria das vezes não são estatutárias, são contratadas. E são mulheres que nasceram na terra onde trabalham. São mulheres que fizeram ensino médio na sua na sua cidade natal, onde nasceram, foram para a capital, pagaram pelo curso superior, se formaram, se tornaram farmacêuticas e voltaram paro seu lar”.
De acordo com Genize, o que se consegue ver é o papel dessa mulher que cria redes de apoio e que também sustenta o sistema de saúde na atenção primária. “Essas profissionais também atuam em uma jornada que envolve subir, descer barrancos e também a responsabilidade de gerir estoques em locais onde o próximo barco e suprimento podem demorar semanas para chegar. Então elas são as garantidoras do acesso à ponta”, comenta.
Para Genize, o resultado da pesquisa que mais chama atenção está relacionado à força dos profissionais de saúde e das redes informais que a ausência do estado ou que a dificuldade logística geram. “Esses profissionais fazem com que a assistência à saúde ou medicamento chegue a essa população, fazendo às vezes muito mais do que a sua atribuição”, comenta.
Segundo ela, uma das experiências que mais se destacam é a atuação dos agentes comunitários de saúde. “Eles levam mensalmente caixinhas de medicamentos com um analgésico, um antiinflamatório, um expectorante, um material para curativo”, comenta. Isso porque, nas comunidades distantes, que muitas vezes exigem três dias de viagem de barcos para se chegar à sede do município, o acesso em caso de urgência e emergência é dificultado.
“Foi muito muito presente isso na maioria dos municípios, a presença da atuação, por exemplo, do agente comunitário, mas também em outros municípios nós tivemos profissionais carregando a sua comida, os medicamentos, água. O médico, o enfermeiro em cima de uma caçamba para ir até um ponto de acesso”.
O estudo abrangeu 18 municípios que representam nove regionais de saúde do estado, incluindo sempre o município-polo e o de menor IDHM de cada região. A coleta de dados em campo foi planejada para coincidir com a estação chuvosa para garantir navegabilidade e o acesso às comunidades ribeirinhas mais isoladas. No total, a avaliação teve a participação de 780 pessoas (378 profissionais e 402 usuários) e a visita a 136 estabelecimentos de saúde.
Documentário
Os estudos da UFSC sobre o tema deram origem ao documentário AmazôniAF – Assistência Farmacêutica na Amazônia, resultado direto da pesquisa Acesso à medicamentos na Amazônia: influência do fator amazônico sobre a assistência farmacêutica, desenvolvido pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com financiamento das fundações de pesquisa do Amazonas, Pará e Santa Catarina e do CNPQ.
O documentário retrata como se dá o acesso aos medicamentos pelas pessoas que moram no interior do Amazonas e Pará. Na UFSC, é coordenado pela professora Mareni Rocha Farias, que conta que a orientação da tese de Genize foi uma das etapas iniciais do processo junto ao Amazônia+10, uma proposta organizada pelo Conselho Nacional de Fundações de Amparo à Pesquisa Estaduais com a participação de Fundações Estaduais, entre elas a Fapesc.
O objetivo era apoiar pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico em instituições de ensino e pesquisa e em empresas sobre os problemas da Amazônia para um desenvolvimento sustentável e inclusivo da região. As propostas deveriam envolver pelo menos pesquisadores de três estados, sendo que um deles deveria ser obrigatoriamente da Região Amazônica.
Amanda Miranda | amanda.souza.miranda@ufsc.br
Jornalista | Agecom| UFSC
Um projeto nacional coordenado pelo Departamento de Ciências da Saúde da Universidade Federal de Santa Catarina (CCS/UFSC) foi tema de reportagem veiculada na RBS TV no último dia 23 de janeiro. Em convênio com o Ministério da Saúde, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu), o projeto Aprimoramento da Atenção Básica em Saúde no Brasil a partir da capacitação em práticas integrativas e complementares em saúde (Auriculoterapia e acupuntura) oferece formação em auriculoterapia para profissionais de saúde da atenção básica, com o objetivo de capacitá-los para atendimentos individuais e coletivos para diversos tipos de problemas de saúde.
O projeto já havia sido divulgado pela revista Fapeu, no Volume 13, de 2022, quando era coordenado pelo professor Lúcio José Botelho. Atualmente, o projeto é coordenado pelo professor Fabrício Augusto Menegon. Entre 2016 e 2024, aproximadamente 20 mil agentes do SUS concluíram o curso, que é dividido em duas etapas: uma fase a distância (EAD), com carga horária de 75 horas distribuídas em cinco módulos, e uma etapa presencial de cinco horas, realizada em municípios-pólo regionais.
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Um estudo pioneiro, de abrangência nacional, liderado por pesquisadoras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), está mapeando as repercussões da cirurgia de redesignação sexual (CRS) em mulheres trans brasileiras. O projeto Redesignadas envolve a parceria entre o Laboratório de Pesquisas, Tecnologias e Inovação em Enfermagem Psiquiátrica, Atenção Psicossocial e Transgeneridades (MentalTrans), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem e o Instituto Nacional de Mulheres Redesignadas (Inamur).
O estudo entrevistou 144 mulheres trans que passaram pelo processo de transgenitalização (conjunto de procedimentos médico-cirúrgicos que visam alinhar o corpo com a identidade de gênero da pessoa trans), com o objetivo de compreender as repercussões da cirurgia na saúde mental e física dessas mulheres. A coleta de dados foi feita por meio de questionários socioeconômicos, entrevistas individuais e grupos focais em cada região do Brasil, ao longo das diferentes etapas do estudo.
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